
Certame teve negociação de 753 MWmed de 71 empreendimentos - que, porém, totalizam garantia física de 783 MWmed
O leilão de eólica realizado nesta segunda-feira, 14 de dezembro, viabilizou a instalação de 71 empreendimentos, com 1.805,7 MW de capacidade instalada. Os projetos estão localizados em cinco estados: Bahia (390 MW), Ceará (541,7 MW), Rio Grande do Norte (657 MW), Rio Grande do Sul (186 MW) e Sergipe (30 MW). Com isso, foram contratados 753 MW médios no leilão, mas, levando em consideração a garantia física serão adicionados ao sistema 783 MW médios. Os empreendimentos serão viabilizados com investimentos estimados pelo governo em R$ 9,4 bilhões.
Foram necessárias 75 rodadas uniformes e uma discriminatória, que levaram quase oito horas, para a definição dos vendeddores do leilão. O preço médio de venda ficou em R$ 148,39 por MWh, o que significou deságio de 21,4% sobre o preço teto de R$ 189/MWh. Mas alguns empreendimentos comercializaram energia a R$ 131/MWh. Dos 339 empreendimentos habilitados pela Empresa de Pesquisa Energética, 217 depositaram garantias físicas para participar do leilão.
Segundo Antonio Carlos Machado, presidente do conselho de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, oito empreendimentos participaram devido a liminares judiciais, mas não comercializaram energia. Ele informou ainda que as usinas contratadas vão fazer a capacidade instalada eólica no país, atualmente, em 602,28 MW, crescer 400%.
Já Márcio Zimmermann, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, considerou um sucesso o resultado do leilão devido a quantidade e o preço médio alcançados. "Hoje nós podemos dizer que a fonte eolica efetivamente está tendo condições de entrar no mercado brasileiro a partir do momento que começa a apresentar preços que competem com biomassa,PCH e outras fontes", avaliou.
Ele destacou ainda o papel de complementariedade da energia eólica com a hidráulica, principalmente, dos parques nordestinos. José Carlos de Miranda Farias, diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética, sublinhou também que o fator de capacidade dos parques em média de 40%. "A fonte eólica é competitiva com as outras fontes alternativas", frisou Farias. De Copenhague, o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, afirmou que a expressiva contratação de empreendimentos eólicos, associada à decisão de cancelar o leilão de termelétricas que ocorreria no próximo dia 21, mostra o empenho de se manter o alto percentual de fontes renováveis na matriz energética brasileira.
O diretor da EPE lembrou que alguns fornecedores adaptaram os equipamentos para as condições do país, o que contribui para as ofertas feitas pelos empreendedores. Zimmermann disse que o governo vai estudar a possibilidade de realizar mais um leilão de fontes alternativas. No entanto, será analisado como acomodar as três principais fontes - biomassa, PCH e eólica no mesmo certame.
"Esses preços sinalizam que essa fonte tem uma grande oportunidade aqui no Brasil", reforçou Zimmermann. O diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Nelson Hubner, disse que o preço surpreendeu. "Achávamos que seria abaixo de R$ 180, mas alguns parques venderam a R$ 131, o que foi uma grata surpresa", disse.
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