O Futuro da Energia

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ventos ajudam Brasil a diversificar matriz energética


PORTO ALEGRE, Brasil – Os mesmos ventos que trouxeram as caravelas portuguesas para o Brasil há mais de 500 anos estão ajudando a diversificar a matriz energética do país.

O maior complexo gerador de energia eólica da América Latina está localizado em Osório, a 95 km de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. (Cortesia: Ventos do Sul Energia)

A energia eólica, obtida pelo movimento do ar, é renovável e limpa, mas apenas nos últimos cinco anos tem se mostrado viável economicamente no País. Novos ventos devem impulsionar esse tipo de geração energética a partir deste ano, graças aos resultados do Leilão Eólico, realizado no final de 2009 pelo Ministério de Minas e Energia.

No total, serão acrescentados ao Sistema Interligado Nacional 71 empreendimentos de geração, o equivalente a 1.805,7 MW (megawatts) de potência. Os novos empreendimentos devem entrar em operação até o final de 2012. Somados aos atuais 120 MW já existentes, o Brasil chegará a 3000 MW gerados a patir da força dos ventos

As novas usinas serão localizadas nos estados do Rio Grande do Norte (23), Ceará (21), Bahia (18), Rio Grande do Sul (8) e Sergipe (1). O projeto receberá R$ 9,4 bilhões em investimentos privados.

“Essa capacidade vai jogar o Brasil para outro patamar”, diz o diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Pedro Perrelli. “Até o final desse ano, a energia eólica deve chegar a 1% da matriz energética nacional e, no final de 2012, a 3%.”

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a energia hidrelétrica atualmente representa 70,7% da matriz energética nacional, seguida da termelétrica (23,9%), pequenas usinas hidrelétricas (2,77%), energia termonuclear (1,88%) e energia eólica (0,56%).

No entanto, Perrelli pondera que a energia eólica não consegue competir com as grandes hidrelétricas, já que a escala de produção é muito menor.

Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Brasil tem grande potencial para uso dos ventos: uma costa litorânea extensa, combinada com um sistema de circulação de ventos constantes e de intensidade apropriada para geração eólica.

O pesquisador sênior na área de clima e energias renováveis do INPE, Enio Bueno Pereira, explica que não basta ter vento. É preciso infraestrutura para a instalação das fazendas eólicas, rede de distribuição adequada e políticas públicas de incentivo.

“Assim como aconteceu com o Programa Nacional do Álcool na década de 70, quando o produto foi subsidiado, a energia eólica precisa de um empurrão”, diz Pereira.

Os estados do nordeste e do sul do Brasil têm se destacado por suas iniciativas. No Rio Grande do Sul, está localizado o Parque Eólico de Osório, que é o maior complexo gerador de energia a partir do vento da América Latina.

O complexo, localizado a 95 km da capital gaúcha, possui 75 aerogeradores (cataventos) instalados no alto de torres de concreto de 100 metros de altura. O parque tem 150 MW de potência, o que daria para abastecer o consumo residencial de uma cidade de 750 mil habitantes. O investimento da Ventos Sul Energia, controlada pelo pelo grupo espanhol Elecnor, foi de R$ 670 milhões em Osório.

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