
Licitação coloca o país em situação privilegiada entre os que investem em fontes limpas
O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, afirmou, por meio de uma nota, que a contratação de energia eólica, neste momento, reforça a posição que o Brasil levará para a Conferência do Clima em Copenhague, “de promover a manutenção do perfil altamente renovável da matriz energética brasileira”. Faz coro com o ele o diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Hamilton Moss. “O Brasil já tem uma matriz energética limpa. Analisando os setores de energia e transporte, 46% de nossa matriz é limpa. E se considerarmos apenas a elétrica, esta parcela sobe para 89%, resultado de nossas usinas hidrelétricas e de biomassa”, avalia.
Escala
Segundo o técnico do ministério, o uso de fontes renováveis de energia em grande escala é uma realidade no Brasil. Mais do que isso: o país, segundo ele, valorizou o critério econômico. “Começamos pelas mais baratas”, lembra Moss, referindo-se às hidrelétricas. “Agora, precisamos avançar no sentido de incorporar mais fontes e é neste contexto que se insere a energia eólica. Países como Alemanha e Japão não tinham outra alternativa a não ser a eólica, na qual investiram. Nós estamos bem mais confortáveis”.
Moss avalia que a contratação da energia eólica poderá levar o Brasil a evitar a utilização das usinas térmicas a carvão. “Este é um investimento para dar segurança ao sistema. Isto é, se as chuvas atrasarem ou caírem em volume menor do que o necessário, acionamos a fonte eólica, tão limpa quanto a hidrelétrica, e completamos o fornecimento para a população”, explicou. Como fonte alternativa, a energia produzida a partir do vento não pode ser armazenada, mas quando produzida, contribui para a segurança do suprimento de energia.
O diretor do MME destaca ainda que o crescimento da energia eólica no país é uma tendência irreversível. “O Brasil tem facilidade. Temos um grande território com bom potencial de ventos”.
Segurança
Os leilões de reserva foram idealizados para a contratação da energia a ser usada em situações de emergência, como a da escassez de chuvas e o consequente comprometimento das hidrelétricas. A energia eólica entraria em operação antes de outras com geração mais cara e poluente. O país já contratou energia de reserva produzida a partir do bagaço de cana-de-açúcar (biomassa).
Combustão
As usinas térmicas ou termelétricas são um tipo de instalação industrial usada para geração de eletricidade a partir da energia liberada em forma de calor, normalmente por meio da combustão de combustíveis renováveis ou fósseis. No Brasil, a maioria delas funciona à base de óleo combustível ou a carvão. A tendência é que migrem para o gás natural, menos poluente.
Expansão modesta
A participação da energia eólica na oferta de eletricidade no Brasil deverá alcançar 1% em 2030, contra os 0,2% de 2005, ano com geração inferior a 100 megawatts (MW). A projeção, hoje considerada conservadora, consta da publicação Matriz Energética Nacional 2030, baseada no Plano Nacional de Energia 2030, do Ministério de Minas e Energia. De acordo com o estudo, entre 2005 e 2030, a capacidade instalada das centrais movidas a vento deverá alcançar 4.682 MW. Só para o leilão do dia 14 de dezembro, os projetos habilitados totalizam mais de 10 mil MW.
“Ainda não sabemos qual é o volume de energia que o governo vai comprar no leilão. Não significa que será todo o montante que está sendo ofertado nos projetos. Este número só será divulgado próximo ao dia do leilão”, disse Hamilton Moss, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia. A publicação Matriz Energética estima que, entre 2015 e 2030, a energia eólica terá uma expansão de capacidade de 3.300 MW, volume equivalente à totalidade da primeira fase do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), iniciado em 2002.
Para o sócio da Câmara Brasileira de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, o Brasil caminha para ter uma geração de energia mais distribuída. “Hoje, mais de 80% é baseada em água. Isso não é bom”, diz. O consultor acredita que o país terá fontes alternativas de energia diferenciadas, de acordo com a vocação de cada região. “Em São Paulo, existe o bagaço da cana gerado pela produção de álcool. Esta fonte tem potencial semelhante ao da Usina de Itaipu. No Rio e no Espírito Santo, a fonte usada deve ser o gás natural, oriundo dos poços de petróleo. No Nordeste, a vocação é claramente a eólica”, exemplifica.
Segundo Pires, o sistema elétrico estava precisando de um banho de modernidade. E o momento é agora. “É uma hora excelente para termos um pouco mais de ousadia, pois a tendência é de aumento substancial da demanda. A equação é produzir mais emitindo menos CO².”
Ranking mundial de geração de energia eólica em capacidade instalada
País - Megawatts - %
EUA - 25.170 - 20,8
Alemanha - 23.903 - 19,8
Espanha - 16.754 - 13,9
China - 12.210 - 10,1
Índia - 9.645 - 8,0
Itália - 3.736 - 3,1
França - 3.404 - 2,8
Reino Unido - 3.241 - 2,7
Dinamarca - 3.180 - 2,6
Portugal - 2,862 - 2,4
Resto do mundo - 16.693 - 13,8
Total dos 10 maior produtores - 104.104 - 86,2
Total da produção mundial - 120.798 - 100,0
Brasil - 341 - 0,3
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