O Futuro da Energia

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sábado, 26 de dezembro de 2009

Governo vai analisar novas ofertas de eólicas e de usinas a biomassa a partir de 2010











Segundo Mauricio Tolmasquim, há possibilidade de negociação como energia de reserva ou em leilões A-3, com criação de produtos específicos para fontes

O governo vai analisar como será a manutenção da expansão da energia eólica e da biomassa nos próximos leilões, já a partir do ano que vem. Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, existe a possibilidade de eólicas e usinas à biomassa serem negociadas na modalidade energia de reserva - acima da projeção do mercado - ou no leilão A-3, dentro do mercado, com a criação de produtos específicos para eles. Para ele, há potencial para contratação com queda de preços da biomassa. "Temos que pensar no potencial da biomassa, sem dúvida", destacou.

Tolmasquim, que está acompanhando a delegação brasileira que participa da Conferência Mundial do Clima (COP-15), em Copenhague, contou que o resultado do leilão de eólicas, realizado na última segunda-feira, 14 de dezembro, é um marco para a fonte, pois se antes o preço da energia era muito afastado dos demais tipos de geração, hoje já se aproxima delas, embora ainda esteja relativamente caro.

Ele lembra que as eólicas nunca foram proibidas de participar dos leilões anuais de energia, em especial o A-3, mas elas não eram competitivas. No entanto, Tolmasquim destacou que a entrada de eólicas em leilões A-3 diante da sinalização de preços dada no certame de ontem não significa necessariamente competição com as outras fontes, em função das diferentes características de contratos. "Térmicas têm contratos por disponibilidade, enquanto eólicas possuem contratos por sistemas de bandas, as hidrelétricas têm contratos por quantidade", observou.

Com relação ao certame, Tolmasquim salientou que a contratação dos 753 MWmed se deu a partir dos melhores sítios entre os habilitados, com fator médio de capacidade de 41%, um valor "extremamente elevado para a geração eólica". O volume corresponde a 1.807 MW de capacidade instalada, contra habilitação de 10.004 MW de potência total. "Com esse leilão, conjugado com o fato do cancelamento do leilão A-5, que só tinha térmicas, consolida essa nossa vontade de manter nossa matriz energética com alto percentual de fontes renováveis", disse.

Além da oferta apenas de energia térmica, por conta da falta de licenças ambientais para projetos hidrelétricos, a baixa demanda de distribuidoras e a queda de mercado em 2009 - com geração de excedente em 2014 - aliados à realização do leilão de eólicas, levou o governo a cancelar o leilão A-5, que aconteceria no próximo dia 21. "Mudou a situação. Antes, tínhamos que contratar o que tivesse [de energia], não tinhamos uma margem. Hoje temos um excedente bastante razoável", analisou, acrescentando que a realização de leilões A-5 não apresenta obrigação legal.

Ainda de acordo com Tolmasquim, o sucesso das eólicas no leilão e o potencial de exploração não significa que o governo venha a postergar a implementação de outros programas, como o de energia nuclear. "É interessante entender que cada fonte tem seu local no abastecimento energético. A eólica e a bioeletricidade complementam a geração hidrelétrica. Já a nuclear é uma fonte que no futuro pode substituir a geração hidrelétrica no longo prazo, por ter como gerar na base. É importante termos a estratégia de não abandonar o conhecimento da tecnologia", avalia o presidente da EPE.

Plano Decenal - Tolmasquim contou ainda que o Plano Decenal de Expansão da Energia 2009-2018 está praticamente pronto, com provável lançamento no início do ano que vem. A geração eólica, segundo ele, terá "um certo incremento" na quantidade de oferta de energia eólica, em comparação com edições anteriores - "condizente com o que será proposto pelo Brasil na COP-15.

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